Por que abandonei as dietas da moda e comecei a ouvir meu corpo – e como isso mudou tudo

Sabe aquela sensação de estar sempre começando uma dieta nova toda segunda-feira? Pois é, essa era eu há alguns anos. Vivia num ciclo interminável de restrição e culpa que parecia não ter fim. Até que um dia, cansada e frustrada, decidi jogar o manual de regras pela janela e tentar algo completamente diferente: escutar o que meu próprio corpo tinha a dizer.

Spoiler: foi a melhor decisão que já tomei para minha saúde física e mental.

A montanha-russa das dietas que não funcionam

Meu histórico com dietas da moda parecia currículo de nutricionista – já fiz de tudo! Low-carb, jejum intermitente, sopa durante sete dias, shake no lugar do jantar… A lista é longa e o resultado foi sempre o mesmo: perda de peso inicial, empolgação, estagnação, frustração, desistência e, finalmente, o temido efeito sanfona.

O pior nem era o fracasso em si, mas como eu me sentia. Vivia pensando em comida o tempo todo (irônico, não?). Cancelava encontros com amigas porque o restaurante não tinha opções “permitidas”. Olhava pessoas comendo normalmente como se fossem seres de outro planeta.

Uma vez, no aniversário da minha mãe, passei a noite inteira calculando quanto tempo precisaria correr na esteira para compensar o pedaço de bolo que eu nem tinha comido ainda. Que loucura, gente!

O dia em que tudo mudou

A ficha caiu numa tarde comum de domingo. Estava folheando mais um livro de dietas (minha estante tinha vários) quando minha sobrinha de 6 anos entrou no quarto e perguntou com a sinceridade que só criança tem: “Tia, por que você sempre está de dieta mas nunca fica feliz?”

Bum! Aquela pergunta inocente me atingiu como um raio. O que eu estava ensinando para aquela menina sobre relacionamento com comida e corpo? Que mensagem eu estava passando?

Naquele dia, guardei os livros, deletei os apps de contagem de calorias e decidi tentar uma abordagem radical: ouvir meu corpo.

Aprendendo uma nova linguagem: a do meu próprio corpo

No começo foi difícil, não vou mentir. Quando você passa anos seguindo regras externas, parece que perdeu a capacidade de entender os sinais internos. Eu literalmente não sabia identificar quando estava com fome ou satisfeita.

As primeiras semanas foram confusas. Havia dias que comia demais, outros de menos. Às vezes escolhia alimentos só porque “podiam”, outras vezes só porque “não podiam antes”. Era como aprender um novo idioma – o idioma do meu próprio corpo.

Mas sabe o que aconteceu com o tempo? Comecei a notar padrões interessantes:

  • Percebi que realmente amo vegetais (quem diria!), mas porque são gostosos e me fazem bem, não porque são “permitidos”
  • Descobri que meu corpo pede carboidratos quando estou mais cansada, e isso faz total sentido
  • Notei que posso comer chocolate sem devorar a barra inteira quando sei que posso ter mais amanhã se quiser

Os benefícios que ninguém me contou

Ninguém me avisou que, ao parar de brigar com meu corpo e começar a cooperar com ele, tantas coisas iriam melhorar:

  • Meu sono ficou mais profundo e reparador
  • Minha concentração no trabalho aumentou
  • A ansiedade diminuiu drasticamente
  • A TPM ficou muito menos intensa
  • Recuperei o prazer de cozinhar e comer em companhia

E o mais incrível? Meu peso encontrou seu lugar natural – nem mais alto como nos momentos de “descontrole”, nem baixo demais como eu forçava nas dietas restritivas. Meu corpo sabia exatamente onde deveria estar quando parei de sabotá-lo.

Como você pode começar essa jornada

Se isso tudo está fazendo sentido pra você, talvez esteja na hora de tentar uma abordagem diferente também. Algumas dicas que funcionaram pra mim:

  1. Comece observando seus padrões atuais sem julgamento
  2. Experimente comer sem distrações de vez em quando
  3. Tente classificar sua fome em uma escala de 1 a 10 antes de comer
  4. Faça a mesma coisa com sua saciedade durante a refeição
  5. Permita-se todos os alimentos – sim, todos mesmo!
  6. Substitua “eu deveria comer isso” por “eu quero comer isso?”

Ah, e faça uma limpa no Instagram. Pare de seguir contas que te fazem sentir mal com seu corpo ou sua alimentação. Nossa, como isso faz diferença!

Uma nova relação com a comida e comigo mesma

Hoje, três anos depois daquela conversa com minha sobrinha, posso dizer que tenho uma relação pacífica com a comida. Nem sempre perfeita (afinal, sou humana), mas infinitamente melhor.

Como pizza quando tenho vontade. Como salada quando tenho vontade também. E o mais importante: aprendi que comida é muito mais que nutrientes e calorias – é cultura, memória afetiva, prazer e conexão.

Outro dia, preparei um jantar para amigos com receitas da minha avó. Comi, bebi, ri e curti cada momento sem aquela vozinha chata na cabeça fazendo contas ou me enchendo de culpa. A liberdade que isso traz não tem preço.

E você, já parou pra refletir sobre sua relação com a comida? Conta aqui embaixo se já passou por algo parecido ou se está pensando em tentar essa abordagem. Às vezes, tudo que precisamos é de um empurrãozinho para começar uma mudança que pode transformar nossa vida inteira.

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