Autocuidado sem filtro: os pequenos rituais que salvaram minha sanidade – e não custaram uma fortuna

Lembro exatamente do dia em que desabei no sofá depois de entregar um projeto enorme, olhei para as notificações do Instagram e tive vontade de jogar o celular pela janela. Mais um carrossel de dicas de autocuidado com mulheres lindas, sorridentes, tomando banho de espuma com velas caríssimas ao redor. Sério? Quem tem tempo e dinheiro pra isso numa terça-feira qualquer?

A real é que passei anos acreditando que cuidar de mim mesma era algo grandioso, cinematográfico e, principalmente, caro.

Spoiler: não é. E descobri isso do jeito mais difícil, depois que meu corpo simplesmente disse “chega” após três anos sem férias de verdade.

Quando percebi que estava fazendo tudo errado

Nunca me esqueço da cara da minha médica quando contei minha rotina diária. “E quando você respira?”, ela perguntou. Respirar? Quem tem tempo? Entre acordar às 6h, trabalhar até as 19h, academia (quando dava), cozinhar, lavar louça e ainda tentar ser um ser humano decente nas redes sociais… respirar virou artigo de luxo.

Foi ela quem me ensinou que autocuidado não é sobre spas caros ou produtos milagrosos. É sobre pequenas pausas intencionais que impedem a gente de surtar no meio do supermercado (já aconteceu comigo, não recomendo).

Mini-rituais que custam zero (ou quase isso)

Minha vizinha Renata é dessas pessoas naturalmente sábias. Outro dia ela me viu correndo para o carro, atrasada como sempre, e gritou da janela: “Cinco minutos de atraso não vão mudar nada, mas cinco minutos respirando podem mudar seu dia inteiro!”

Ela está certa, sabe? Comecei a testar pequenos momentos de pausa. E juro que alguns deles mudaram completamente minha semana:

  • Café sem celular: Parece bobagem, mas tomar o primeiro café da manhã olhando pela janela em vez de checando e-mails mudou meu humor matinal. São só 7 minutos, mas fazem toda diferença.
  • Playlist de 15 minutos: Criei uma com músicas que me deixam feliz. Todo dia depois do almoço, coloco fones, fecho os olhos e só escuto. Meus colegas já sabem que esse momento é sagrado.
  • Caminhada sem rumo: Aos domingos, saio de casa sem destino por 30 minutos. Sem trajeto definido, sem contador de passos, sem objetivo. A última vez acabei descobrindo uma lojinha de plantas incrível a três quadras de casa!

A ciência por trás dessas pausas (sim, tem ciência nisso!)

O que ninguém conta é que estas pequenas pausas literalmente redefinem a química do nosso cérebro. Não sou cientista, mas conversei com uma amiga neuropsicóloga que explicou: nosso cérebro precisa de intervalos regulares para processar informações e regular emoções.

É tipo desligar o computador que está travando. Às vezes, o reinício de 5 minutos resolve mais que horas tentando consertar com ele ligado.

As armadilhas que ainda me pegam às vezes

Vou te contar uma coisa: ainda caio na cilada do “vou descansar depois”. Semana passada mesmo, adiei meu banho caprichado com playlist favorita porque “precisava” responder mais alguns e-mails.

Resultado? Os e-mails continuavam lá no dia seguinte (surpresa zero), e eu perdi a chance de terminar o dia mais tranquila.

O ponto não é ser perfeita nisso. É perceber quando estamos sabotando nossos próprios momentos de pausa e, aos pouquinhos, priorizar esses instantes.

A pergunta que mudou minha relação com autocuidado

Uma terapeuta uma vez me perguntou: “Se você tratasse uma amiga querida do jeito que trata você mesma, ela continuaria sua amiga?”

Aquilo bateu fundo. A gente marca almoço com amigas e não desmarca, mas cancela o próprio momento de descanso vinte vezes no mesmo dia.

Comecei a marcar encontros comigo mesma no calendário. Com alarme e tudo. E trato esses compromissos com o mesmo respeito que trato os de trabalho.

Olha, não vou mentir dizendo que virei uma zen-master que nunca mais estressou com nada. Continuo correndo, me atrasando e ocasionalmente surtando. Mas agora tenho válvulas de escape diárias que evitam que a panela de pressão exploda.

E você, tem conseguido criar pequenas pausas no seu dia? Às vezes três minutos de respiração consciente já fazem milagres. Vai por mim, seu cérebro vai agradecer!

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